Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

 

"Tenho sérias razões para supor que o planeta de onde vinha o príncipe era o asteróide B 612. Esse asteróide só foi visto uma vez ao telescópio, em 1909, por um astrónomo turco.
 
Ele fizera na época uma grande demonstração da sua descoberta num Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém lhe dera crédito, por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim.
Felizmente para a reputação do asteróide B 612, um ditador turco obrigou o povo, sob pena de morte, a vestir-se à moda europeia.
 
O astrónomo repetiu sua demonstração em 1920, numa elegante casaca. Então, dessa vez, todo o mundo se convenceu.
Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que colecciona borboletas?" Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa?
 
Quanto ganha seu pai?" Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado..." elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma ideia da casa. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de seiscentos contos". Então elas exclamam: "Que beleza!"
 
Assim, se a gente lhes disser: "A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe" elas darão de ombros e nos chamarão de criança!
Mas se dissermos: "O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612" ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes."
  
“ O Principezinho” – Antoine de Saint-Exupéry (em português do Brasil, não consegui encontrar uma disponível em português de Portugal)

 

Desde ontem está oficializado, repetido e proclamado em todos os meios de comunicação social:
 
Portugal fechou o ano de 2008 em recessão técnica!

 

 
Eu, desta vez, quis-me antecipar…
 
Não admitia sequer que me acontecesse outra vez aquele enxovalho dos spreads...
Falo daquela altura em que toda a gente sabia à milésima o “spread” (vá d’retro) com que tinha negociado o seu empréstimo bancário…
Sim, aquela altura em que eu (ali entre o prato principal e a sobremesa) simulava uma desculpa para me levantar da mesa, ou tossia, ou atirava-me para o chão… Sei lá…. Tudo valia para disfarçar o embaraço de ter contratado um crédito à habitação sem nunca, MAS NUNCA, ter sabido sequer que bicho era aquele.
 
Compensei-me dos atestados de incompetência que interior e repetidamente me passei quando percebi, chegados à parte importante – aquela do “Mas afinal quanto é que pagas?” – que as condições do meu contrato até eram mais vantajosas.
 
Não, claro que não efectuei um estudo comparativo das cláusulas contratuais! Percebi tão-só que pagava menos pelo dinheiro que me tinham emprestado (apesar de, tal como todos os outros, decorridos dois anos de pagamentos mensais, dever mais ao Banco do que tinha recebido, adiante…).
 
Afinal, tinha-me limitado a recolher propostas de cada instituição de crédito, exibindo-as depois ao concorrente que, naturalmente, me apresentava uma contra-proposta.
 
Ainda há pouco tempo me (re) irritei comigo por o ter feito.
 
O meu contrato, celebrado há tanto tempo que já nem sei, até tem aquela cláusula de arredondamento bem feita… Aquela, a tal, que agora não me permite pedir o reembolso de um centavo (agora de um cêntimo), porque não paguei rigorosamente nada a mais! É preciso não perceber mesmo nada disto!
 
Bem, dizia eu que desta vez não me iam apanhar.
 
Pesquisei a definição de recessão técnica e encontrei isto
Fala-se em recessão técnica «quando existem dois trimestres consecutivos de quedas do PIB, face ao trimestre anterior», disse à agência o professor de Economia da Universidade de Évora José Manuel Belbute.

 

Isso significa que o ciclo económico está em fase descendente, mas pode não ter batido no fundo, acrescentou o mesmo especialista.

 

….
Não há definições únicas de recessão

 

No entanto, há quem fale em recessão referindo-se a um ritmo de criação de riqueza «muito lento», com os fundamentais da economia mal consolidados, usando um conceito «mais valorativo» de recessão.

 

 

Fernando Alexandre, professor de Economia da Universidade do Minho disse que «não há uma definição única de recessão», mas normalmente fala-se em recessão técnica quando o PIB cai por dois trimestres consecutivos.

 

Há quem use o termo recessão para dizer que uma economia está a crescer abaixo do seu potencial (no caso português esse nível anda à volta dos dois por cento), referiu o mesmo economista.

 

In site da Agência Financeira

 

 
Fiquei com mais dúvidas que certezas…

 

E se a recessão tivesse sido quase-técnica, qual seria a diferença em termos práticos?

 

Uma casa decimal afecta em que medida a vida de cada um de nós?

 

E se no primeiro trimestre de 2009 as coisas até correrem benzinho?

 

Esperamos pelo segundo trimestre e pelas contas finais?

 

Ou podemos dizer que, afinal, a recessão está suspensa?

 

 
Tou mesmo a ver-me, em conversa de amigos, a disparar recessão para cá, receber PIB de lá e rematar com um crescimento global fraquito, mas positivo!

 

Ao menos sempre se deixa de falar da Bimbi e da Nespresso…

 

 
Não…

 

 
Não estou a brincar com isto porque até tenho um emprego e não sei, nem quero saber, do impacto que o momento que se atravessa vai ter a nível global…

 

Sei que nos aguardam momentos difíceis, momentos em que vamos deixar de conseguir manter o castelinho de sonhos que, a cada esquina, estava mesmo ali a pedir para o levarmos …

 

Sei que ao longo dos anos nos incutiram que, com pouquíssimo esforço, podíamos ter mais e melhor…

 

Sei que muitas famílias se debatem com dificuldades de vária ordem para “esticar” o orçamento mensal. Principalmente porque (voluntariamente ou não) não vão arranjar mais um cartãozito, Aquele, cuja amortização até nem custaria nada, não fora a taxa de juro a subir e a pré-existência de mais uns dez créditos eu-pago-isto-num-instante-e-nem-dou-por-ela.

 

Sei também que, em momentos de dificuldade, o ser humano se transforma.

 

Torna-se mais solidário, ou mais beligerante, depende de para onde lhe der o vento (ou a comunicação social).[1]
Ora,

 

Já não bastava a tendência nacional para a depressão colectiva….

 

Já não bastava o pessimismo endémico que nos caracteriza…

 

Já não bastava a frente polar e este frio de rachar[2]
Já não bastava o Benfica não andar à altura das expectativas[3]

 

 
Ainda somos bombardeados com esta informação, cujos contornos e impactos não conhecemos mas, à cautela, o melhor é ter muito medo!

 

Mesmo porque os senhores que dizem estas coisas têm um ar muito sério!

 

Resultado – andam as pessoas todas acabrunhadas, cinzentas, angustiadas, prontas a exaspera-se com o próximo por quase nada…

 

Sempre preferia o “mais ou menos” ou o “vai-se andando”… Já nem pergunto a ninguém como tem passado… Ainda apanho…Livra!

 

Os momentos não estão de facto para brincadeiras mas, até ver, brincar é das poucas coisas que se fazem de graça.

 

Nunca vi um doente que se estivesse repetidamente a queixar da sua doença, esmiuçando os meandros de cada sintoma e dissertando sobre os efeitos secundários de cada medicamento, a recuperar mais depressa.

 

Conheço outrossim pessoas que, confrontadas com a adversidade, encontraram forças que não conheciam, descobriram a alegria da simplicidade, o prazer de aproveitar cada momento e sem meter a cabeça na areia mas também sem alarmismos, recuperaram mais depressa. Mais, recuperaram para retomar a vida anterior de uma forma melhor, porque aprenderam a valorizá-la.

 

Para mau já basta a doença, o alarmismo só atrapalha…

 

Utilizando uma expressão tão cara ao meu amigo e camarada Luís Lopes “Saibamos todos”.. manter a serenidade.

 

 
Telma Correia

 


Curiosamente “O Principezinho” foi escrito e publicado por um piloto de guerra, em plena 2ª Guerra Mundial. [1]

 

Ele há coisas!

 

A propósito – Já viram a cobertura jornalística que teve? Quase que derrotava a recessão técnica em popularidade! [2]

 

Ao menos ficámos todos a saber como é que se agasalha uma criança de quatro anos para o frio…

 

Afectando directamente mais de metade da população portuguesa.[3]

 



publicado por r às 14:32 | link do post | comentar

2 comentários:
De r a 7 de Janeiro de 2009 às 19:04
Em primeiro lugar valorizo a tua chegada à blogosfera, esperando que seja para manter, pois a tua análise é sempre uma mais valia.

Quanto ao Post deixa-nos concerteza mais bem dispostos nestes tempos de alguma incerteza...

Até ao próximo Post.
RFaria


De weber a 8 de Janeiro de 2009 às 11:01
Caríssima,
que bom sabê-la escritora...e de mor qualidade!
Escreva e publique-se mais vezes é o meu desejo sincero:ganha a minha boa amiga e, sobretudo ganhamos nós todos - a acreditar na qualidade substantiva e, ainda, literária deste seu poste.
Só um "petit" comentário ao remate final "Saibamos todos" manter a serenidade.
Com dizia aquele inglês que charutava (como o fazia até hà bem pouco tempo o inenarrável Fidel), que foi Nobel de Literatura e pintava bem: "Em tempos de crise não podemos fazer só o possível. Devemos fazer o necessário."
Pois.
Este é o desafio.
Esta é a hora de avaliar os actores políticos, ministros e até o nosso Primeiro, de modo a percebermos (como disse o dr. Soares na SIC noticias) o plano de ataque à crise: se é só do domínio do possível ou se, ao invés, ataará o NECESSÁRIO...
E ele é bem provável, que os que estão a ir para o desemprego, os que já não conseguem pagar empréstimos (provavelmente, por culpa própria!)não sejam capazes desse exercício, quase de dimensão Zen, de "serenidade"!

Um abraço grande.

José Albergaria


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